A palavra exegese é derivada de duas palavras do Grego antigo (eksegesis) e significa explanação ou interpretação crítica de um texto. O Chambers’s Twentieth Century Dictionary define exegese como a ciência da interpretação, especialmente das Escrituras. Em um cenário mais teológico, exegese significa o que provêm do uso de certos métodos de estudo da Bíblia.

Um bom número de estudiosos concorda que a ‘exegese ocorre quando aprendemos a abordar o texto com uma perspectiva imparcial, vemos o texto como primário e tentamos considerar seu significado de uma maneira separada de qualquer noção preconcebida sobre o que o texto significa; observarmos o que o texto realmente diz, como encaixara no passado e como encaixa no presente, e como podemos aplicá-lo à nossa experiência pessoal.’

Longe de pretendermos entrar aqui em questões relativas ao canôn das Escrituras, somente lembrar que todos os manuscritos originais da Bíblia foram perdidos, mas temos as versões que remontam às primeiras cópias, e coincidem estreitamente com os Manuscritos do Mar Morto, descobertos em 1948 nas cavernas de Qumran, perto do mar morto; além de outras fontes de domínio não público, escondidos em outros lugares do planeta (…)

Alguns intérpretes defendem o princípio da síntese ou que o melhor intérprete das escrituras é a própria escritura; mas percebo que nem sempre este é o caso. Certamente devemos examinar uma passagem em relação ao seu contexto imediato (os versículos que a cercam), seu contexto mais amplo (o livro em que se encontra) e seu contexto completo (a Bíblia como um todo); também, uma declaração teológica em um versículo pode ser harmonizada com declarações teológicas em outras partes das escrituras, assim como devemos considerar o princípio racional ou pensando através do uso de técnicas lógicas e dedutivas; mas seja qual for o método que usarmos, devemos sempre começar a leitura da Bíblia ou a interpretação de um texto pedindo a orientação do Espírito no processo interpretativo.

Interpretar cegamente certas passagens da Bíblia, sem o devido conhecimento de, pelo menos, seu contexto histórico e implicações teológicas constitui um risco para o intérprete e para aqueles que ouvem. Certa ocasião, não foi nada agradável ouvir uma mensagem baseada em 1 Timóteo 1:20 onde Paulo diz, “E estes foram Himineu e Alexandre, os quais entreguei a satanás, para que aprendam a não blasfemar.”A interpretação foi desastrosa e deixou muitos fiéis incomodados.

No link Mais Que Exegese pretendemos, na medida do possível, sugerir interpretações de textos considerando assuntos textuais e traduções; história da composição; contexto histórico; gênero e estrutura; contexto literário e colocação canônica; análise literária do texto; temas principais e mensagem teológica; implicações teológicas e aplicações, mas sobretudo considerar o sentido espiritual do texto e como podemos aplicá-lo à nossa realidade cotidiana. 

Vamos começar por Gênesis:

Gênesis 1.1.No princípio, criou Deus os céus e a terra

As palavras hebraicas para “no princípio Deus” é bereshith bara Elohim. Não obstante seus significados, os termos são bastante indefinidos; podem indicar os limites do próprio livro em relação a uma eternidade indeterminada, a uma criação revelada. Alguns intérpretes concordam que a palavra princípio é empregada para significar único. Sendo assim, “O Princípio, Deus, criou os céus e a terra“?

Segundo Albert Barnes’ (Notes on the Whole Bible), princípio deve ser considerado no sentido absoluto, não em referência a tempo, e bãrã, a ação criadora de Elohim, significa dá vida a algo novo.

Independentemente de como foi possível nossos ancestrais entenderem e descreverem as revelações acerca de Deus, Ele continua sendo perfeito e insondável! A seguir foi como Adam Clarke (Commentary) descreveu Elohim:

Muitas tentativas foram feitas para definir o termo Deus; quanto à palavra em si, é puro anglo-saxão e, entre nossos ancestrais, significava não apenas o Ser Divino, agora comumente designado pela palavra, mas também Bom… O Bom Ser, uma fonte de infinita benevolência e beneficência para com suas criaturas…O Ser eterno, independente e auto-existente; o Ser cujos propósitos e ações nascem de si mesmo, sem motivo ou influência estrangeiros; aquele que é absoluto em domínio; a mais pura, a mais simples e a mais espiritual de todas as essências; infinitamente benevolente, benéfico, verdadeiro e santo; a Causa de todo ser, a sustentadora de todas as coisas; infinitamente feliz, porque é infinitamente perfeito; e eternamente auto-suficiente, sem precisar de nada que ele tenha feito; ilimitado em sua imensidão, inconcebível em seu modo de existência e indescritível em sua essência; conhecido plenamente apenas por si mesmo, porque uma Mente infinita só pode ser totalmente apreendida por si mesma. Em uma palavra, um Ser que, por sua infinita sabedoria, não pode errar ou ser enganado; e quem, por sua infinita bondade, nada pode fazer senão o que é eternamente justo, correto e bondoso. Leitor, esse é o Deus da Bíblia; mas quão amplamente diferente do Deus da maioria dos credos e apreensões humanas!

Gênesis 1.2. A terra, porém, estava sem forma e vazia; havia trevas sobre a face do abismo, e o Espírito de Deus pairava por sobre as águas“.

Aqui “Tohú- bohú” é a palavra hebraica para caos e vazio, trevas e abismo.  Essas são imagens que preparam a noção da criação a partir de uma perspectiva espiritual; da noção metafísica da criação (ex nihilo) – do nada material, mas do tudo espiritual. O profeta Isaías, no verso abaixo, usa um advérbio de negação antes das mesmas palavras hebraicas tohú – bohú:

Assim diz o Senhor, que criou os céus, o Deus que formou a terra, que a fez e estabeleceu;  que não a criou para ser um caos (tohú-ború), mas pare ser habitada: Eu sou o Senhor e não há outro” (Is.45.18).

Genesis 1: 26, 27, 31

Também disse Deus: façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança… Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou…Viu Deus tudo que fizera, e eis que era muito bom.”

Toda a criação de Deus – o homem, a mulher, os montes, as flores, o firmamento azul, os verdes mares, os animais, todos refletem a Mente inteligente que os criou. Uma pergunta para refletirmos: Poderia o Espírito criar outra coisa que não fosse espiritual, o oposto de Si mesmo?  Mesmo possuindo um corpo e vivendo em um mundo natural a origem e essência do homem é puramente divina, espiritual. Já foi dito com propriedade que somos seres espirituais, vivendo experiências humanas. Paulo insiste em suas cartas que “O homem sem o Espírito não aceita as coisas que vêm do Espírito de Deus… O homem espiritual julga todas as coisas (do Espírito)” …‘e que este homem possui a mente de Cristo.’ (1 Cor. 2:14-16 – NIV).

Jó 33:4: “O Espírito de Deus me fez, e a inspiração do Todo-Poderoso me dá vida.”

Intérpretes da Bíblia concordam que espírito e sopro são geralmente traduzidos da mesma palavra Hebraica, ruach. Porém em Jó 33:4, sopro provém do nome neshamah, que significa inspiração. Este mesmo termo é usado em Jó 32:8, “Na verdade, há um espírito no homem, e a inspiração (neshamah) do Todo-Poderoso o faz sábio.”

Acts 17:28: “Pois nele vivemos, e nos movemos, e existimos.”

Como está implícito nos versos acima, Paulo traça aqui nossa total unicidade com o nosso Criador. O sentimento que ele cita no verso foi encontrado substancialmente em vários poetas Gregos. O Apóstolo proferiu essas palavras aos Atenienses depois de ter visto o altar “Ao Deus desconhecido.” O restante do verso, “Porque dele também somos geraçao,” tem sido atribuído a dois filósofos Gregos, Epiménides e Aratus. Barne’s afirma que “Aratus era um poeta Grego da Cilícia, o lugar da origem de Paulo, e floresceu cerca de 277 anos antes de Cristo;” que, como Paulo era natural do mesmo país, é altamente provável que ele conhecesse os escritos do poeta. Alguns defendem o pensamento que, citando esses poetas e pensadores Paulo conecta com seus ouvintes intelectuais e estabelece uma ponte para sua explicação sobre as boas novas ensinadas pelo Cristianismo.

Em sua oração sacerdotal (João 17), Jesus também fala da nossa unicidade com o Pai: “Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da tua mensagem; a fim de que todos sejam um Pai, assim como tu és em mim e eu em ti, para que também eles sejam um em nós.” (20, 21 – NIV).

Nota:

  • As postagens aqui, continuarão semanalmente, mas caso o amigo desejar obter a exegese de outras passagens Bíblicas, sinta-se livre para entrar em contato.
  • Em geral, usamos as versões João Ferreira de Almeida, King James e a Nova Versão Internacional para a maioria de nossas citações bíblicas.

 

By Elza A. Gobira Keplinger

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